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Parque Nacional Serra das Confusões será ampliado em quase 100 mil hectares e se aproxima de 1 milhão de hectares protegidos

Decreto presidencial garante preservação da Serra Vermelha, encerra uma luta ambiental de quase duas décadas e consolida uma das maiores conquistas da conservação da Caatinga no Nordeste

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 Foto | Jornalista André Pessoa

Uma das mais importantes vitórias ambientais do Nordeste nas últimas décadas acaba de ser concretizada. Foi assinado o decreto presidencial que assegura a proteção dos últimos 100 mil hectares da Serra Vermelha, no sul do Piauí, área localizada entre os municípios de Curimatá e Morro Cabeça no Tempo. A região, que integrava o condomínio Chapada do Gurgueia e estava sob responsabilidade da empresa JB Carbon S/A, corria o risco de ser destinada à produção de carvão vegetal.

Com a medida, os 100 mil hectares serão incorporados ao Parque Nacional Serra das Confusões, que passará a contar com cerca de 923 mil hectares protegidos pela legislação federal, consolidando-se como uma das maiores áreas contínuas de conservação da Caatinga no Brasil.

Criado em 1998 com 523 mil hectares, o parque foi ampliado em 2010 com a incorporação de mais 300 mil hectares. Agora, com a inclusão da área da Serra Vermelha, ganha um novo reforço de aproximadamente 100 mil hectares, aproximando-se da marca de 1 milhão de hectares de vegetação nativa preservada.

A decisão representa o desfecho vitorioso da campanha SOS Serra Vermelha, lançada em dezembro de 2006. Ao longo de quase 20 anos, ambientalistas, jornalistas, instituições públicas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil atuaram para impedir a exploração da área e garantir sua proteção definitiva.

Entre os nomes lembrados pela mobilização estão a jornalista Tânia Martins, o repórter Francisco José, o fotógrafo André Pessoa e os ambientalistas Miriam e Wigold Schäffer. A campanha também contou com o apoio de diversas lideranças e instituições, entre elas o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o chefe do Parque Nacional Serra das Confusões, José Wilmington, além de parlamentares, membros da Justiça, do Ministério Público Federal e organizações ambientais de atuação nacional e regional.

A ampliação do Parque Nacional Serra das Confusões reforça a importância estratégica da conservação da Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro e considerado um dos mais ricos e ameaçados do país. Para os defensores da causa, a assinatura do decreto representa não apenas a preservação de um patrimônio natural único, mas também a celebração de uma mobilização coletiva que atravessou gerações e se tornou referência na luta ambiental brasileira.

Com a nova proteção, a natureza comemora uma conquista histórica, encerrando um capítulo de quase duas décadas de mobilização em defesa da Serra Vermelha e abrindo um novo horizonte para a conservação ambiental no Piauí.

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Por: Eita Piauí

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